Ícone do site TV TRIBUNA NOTÍCIAS DE PERNAMBUCO

Festival de cinema de Brasília é cancelado; classe artística repudia

Por MRNews

O tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não será realizado em 2026. A decisão pelo cancelamento da 59ª edição do festival foi informada aos organizadores pelo Governo do Distrito Federal (GDF) nesta segunda-feira (10). O evento estava agendado para ocorrer entre 11 e 19 de setembro.

A edição de 2026 havia recebido número recorde de inscrições de filmes, com 1.928 obras pleiteando uma vaga. Uma coletiva de imprensa para anunciar a programação completa estava marcada para o dia 18 de agosto. Mais de 80 filmes estavam confirmados, com envolvimento de centenas de profissionais do audiovisual de todo o Brasil.

Em publicação nas redes sociais, o diretor artístico do festival, Eduardo Valente lamentou o cancelamento. Segundo ele, a seleção de filmes já havia sido feita e todos os envolvidos estavam “empolgados e com planos para suas estreias”. Ele pediu a união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.

Rede de vigilância é essencial para evitar propagação de sarampo em SP

Larissa Manoela consegue nova vitória na Justiça e muda destino de contrato assinado na infância

“O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga”, escreveu Valente.

Os organizadores do eventos devem publicar uma nota de repúdio nesta terça-feira (11), repudiando a decisão do governo do Distrito Federal e pedindo que a decisão seja revertida.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, não se manifestou a respeito da decisão de cancelamento do festival. O espaço está aberto para incluir posicionamento do GDF.

Tristeza e revolta

Tiago de Aragão, diretor no Centro Oeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), lamentou o cancelamento e o associou à crise instalada no GDF após o escândalo dos bilhões de reais em títulos podres do Banco Master comprados pelo Banco de Brasília (BRB). 

Liesa inicia venda ingressos para carnaval 2027 na Marquês de Sapucaí

Consulta pública sobre educação a distância vai até sexta-feira

“São dezenas de profissionais empregados que já estavam trabalhando sem receber; são produtoras e cineastas de todo o país que reservaram o lançamento dos seus filmes para Brasília. A imagem que fica é de um GDF que não honrará seus compromissos para sanar um rombo causado em uma história espúria que envolveu o BRB com o Banco Master e Vorcaro”.

Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a decisão do GDF é preocupante também pelo seu potencial de reverberar por outros festivais do país.

“Só durante a ditadura que o Festival de Brasília não foi realizado. E o que isso significa simbolicamente? Para além das decisões financeiras, é uma decisão política do GDF. Isso nos preocupa imensamente, porque não ameaça apenas o festival de Brasília, e sim todos os festivais de cinema do Brasil”.

Carina Bini é cineasta de Brasília. Na edição do ano passado, subiu ao palco do Cine Brasília com todo o elenco de seu filme Mil Luas para apresentá-lo ao público da cidade. Hoje, ela lamenta a perspectiva de um auditório vazio e uma tela apagada em setembro.

“O Festival de Brasília movimenta todo um mercado de trabalho, uma cadeia produtiva do audiovisual, traz pessoas para a cidade, ele é um evento que gera emprego, gera recurso para o Distrito Federal e é importante historicamente para o cinema brasileiro”, destaca.

Festival histórico

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria, em 2026, à marca de 59 edições. A mostra competitiva estava marcada para ocorrer de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília.

O Festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como um espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo das décadas, só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar.

Um diferencial em relações a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.

 

Sair da versão mobile