{"id":58375,"date":"2026-06-14T14:46:03","date_gmt":"2026-06-14T17:46:03","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/do-marmelo-ao-beiju-clima-ameaca-producao-em-territorios-quilombolas\/"},"modified":"2026-06-14T14:46:03","modified_gmt":"2026-06-14T17:46:03","slug":"do-marmelo-ao-beiju-clima-ameaca-producao-em-territorios-quilombolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/do-marmelo-ao-beiju-clima-ameaca-producao-em-territorios-quilombolas\/","title":{"rendered":"Do marmelo ao beiju, clima amea\u00e7a produ\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rios quilombolas"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Na comunidade rural quilombola de Nova Esperan\u00e7a, na cidade de Bara\u00fana (RN), a agricultora Sueli Bessa, de 39 anos, recorda que, na inf\u00e2ncia, o cheiro da goiaba tomava conta do lugar. No entanto, os per\u00edodos secos ficaram cada vez mais frequentes e a fruta n\u00e3o aparece como antes.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sueli \u00e9 uma das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias que participa at\u00e9 este domingo (14) do encontro nacional das mulheres quilombolas, no Gama (DF), que colocou a justi\u00e7a clim\u00e1tica como um dos temas principais. O presidente Lula visitou o encontro na quinta (11) e ouviu a preocupa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p><strong>No caso da comunidade potiguar, al\u00e9m da goiaba, outras frutas e hortali\u00e7as, que fazem parte da vida das 70 fam\u00edlias que moram no local, tamb\u00e9m sofrem com os extremos clim\u00e1ticos. Ora com as secas, ora com temporais.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/pesadelo-passageiros-relatam-caos-apos-cancelamentos-de-voos-da-azul-em-madri\/\">\u2018PESADELO\u2019: Passageiros relatam caos ap\u00f3s cancelamentos de voos da Azul em Madri<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/prefeito-de-nova-york-exalta-socrates-e-mobilizacao-social-no-futebol\/\">Prefeito de Nova York exalta S\u00f3crates e mobiliza\u00e7\u00e3o social no futebol<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Com as dificuldades, parte da comunidade teve que desistir de praticar a agricultura familiar e precisou arrumar emprego nas ind\u00fastrias na \u00e1rea urbana, que fica a mais de 20 quil\u00f4metros. A pista n\u00e3o ajuda.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria comunidade, que tamb\u00e9m n\u00e3o tem c\u00f3digo de endere\u00e7o postal (CEP), n\u00e3o \u00e9 asfaltada. As tempestades deixam ruas e estradas intrafeg\u00e1veis. \u201cQuando chove forte l\u00e1, \u00e9 horr\u00edvel\u201d, lembra.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 abastecimento regular de \u00e1gua e a comunidade depende de um po\u00e7o artesiano que, com a secura costumeira, deixou o dia a dia mais complexo para viver e plantar.\u00a0<\/p>\n<p>Sueli Bessa, por exemplo, vende geleias e compotas na comunidade e em feiras na cidade. Ela sonha terminar o ensino m\u00e9dio, na escola que fica a 30 minutos de dist\u00e2ncia, para um dia fazer um curso superior. \u201cEm enfermagem ou em direito, para ajudar um dia mais a minha comunidade\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/luta-abolicionista-de-luiz-gama-pode-virar-patrimonio-da-humanidade\/\">Luta abolicionista de Luiz Gama pode virar Patrim\u00f4nio da Humanidade<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/caso-arthur-menino-de-11-anos-comeu-bolo-em-festa-de-familia-antes-de-morrer-exame-confirmou\/\">Caso Arthur; menino de 11 anos comeu bolo em festa de fam\u00edlia antes de morrer; exame confirmou<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A filha dela, a estudante Suelene Ribeiro, de 21, tem o mesmo pensamento. Criada nesse esp\u00edrito comunit\u00e1rio, ela diz que os coletivos de mulheres e de jovens est\u00e3o atentos \u00e0s dificuldades com o clima.\u00a0<\/p>\n<h2>Pesquisa<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Agr\u00f4noma Fran Paula\u00a0lan\u00e7ou o Livro <em>Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima<\/em>\u00a0<strong>Foto: Lula Marques\/Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><!--END copyright=465801--><\/h6>\n<\/div>\n<p><strong>Diante de dificuldades atravessadas em todos os biomas como a da comunidade potiguar, a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lan\u00e7ou, durante o encontro nesta semana, o livro <em>Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima,\u00a0<\/em>de 120 p\u00e1ginas. <\/strong><\/p>\n<p>A agr\u00f4noma Fran Paula, pesquisadora em sa\u00fade e meio ambiente, foi a principal respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<p><strong>Ela diz que houve mais v\u00edtimas mulheres assassinadas nos espa\u00e7os em que foi registrado um avan\u00e7o de grandes empreendimentos e o desmantelamento de pol\u00edticas ambientais.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho apresenta den\u00fancias de impactos de grandes empreendimentos invadindo territ\u00f3rios quilombolas, que j\u00e1 enfrentam colapso clim\u00e1tico, em todos os biomas brasileiros.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPara al\u00e9m das den\u00fancias, temos uma estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica de como reunir contribui\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas para salvaguarda dos territ\u00f3rios e de conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, e tamb\u00e9m de resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A pesquisadora, que \u00e9 integrante da Conaq, nascida na comunidade de Campina de Pedra (em Pocon\u00e9-MT), diz que as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o realizadas pelas mulheres s\u00e3o protagonistas do levantamento.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o trazemos apenas den\u00fancias do racismo ambiental, mas tamb\u00e9m apontamentos, solu\u00e7\u00f5es e as estrat\u00e9gias que as mulheres est\u00e3o construindo para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o livro traz estrat\u00e9gias de vigil\u00e2ncia ambiental que os territ\u00f3rios j\u00e1 exercem. \u201cA gente monitora h\u00e1 muito tempo essas mudan\u00e7as a partir das mulheres que permanecem nos territ\u00f3rios todo o tempo e t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o quando o problema est\u00e1 atingindo o seu \u00e1pice\u201d.<\/p>\n<h2>Maiores v\u00edtimas<\/h2>\n<p><strong>Fran Paula diz que as mulheres s\u00e3o as primeiras a sentir os efeitos e as \u00faltimas a sa\u00edrem do territ\u00f3rio.<\/strong> Ela exemplifica que usinas de energia e\u00f3lica (concebidas como alternativa de energia limpa) impactam o modo de vida e de produ\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais.\u00a0<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os de grandes empreendimentos, explora\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e tamb\u00e9m de min\u00e9rios, al\u00e9m das fazendas de monoculturas impactam os territ\u00f3rios. A pesquisadora indica que h\u00e1 um quadro generalizado de contamina\u00e7\u00e3o que tem afetado n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade f\u00edsica das pessoas, mas tamb\u00e9m os modos de viver e a continuidade das identidades.<\/p>\n<p>Por isso, ela defende a necessidade de celeridade nas regulariza\u00e7\u00f5es de terras quilombolas. \u201cN\u00e3o existe justi\u00e7a clim\u00e1tica sem territ\u00f3rio garantido, sem titulariza\u00e7\u00e3o para esses territ\u00f3rios que precisam ser protegidos\u201d.<\/p>\n<h2>Marmelo amea\u00e7ado<\/h2>\n<p><strong>Entre esses territ\u00f3rios que est\u00e3o prestes a serem protegidos, est\u00e1 o da comunidade Mesquita, que fica em Cidade Ocidental (GO). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, que \u00e9 nascida e criada no local, h\u00e1 expectativa de que ainda neste ano o territ\u00f3rio seja finalmente demarcado. S\u00e3o 785 fam\u00edlias na \u00e1rea rural, com cerca de tr\u00eas mil pessoas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro registro de um grupo de moradores ocorreu no s\u00e9culo 18. O reconhecimento como territ\u00f3rio quilombola ocorreu apenas em 2006, quando a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares concluiu os estudos antropol\u00f3gicos para delimitar a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Sandra Braga alerta que o fato de n\u00e3o haver titula\u00e7\u00e3o possibilita que fazendeiros da soja se apropriem de terras que s\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>Um dos s\u00edmbolos de resist\u00eancia do lugar \u00e9 a planta\u00e7\u00e3o do marmelo, que resulta em diferentes produtos, como a marmelada e a geleia. \u201cAs fam\u00edlias t\u00eam em casa o p\u00e9 de marmelo para celebrar nossa tradi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Os produtores rurais do marmelo da comunidade lamentam as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com longas estiagens. Antes, o marmelo rendia mais do que hoje em dia. At\u00e9 o fruto era maior. <\/strong>\u201cMeu pai (Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Pereira) foi um grande defensor da floresta nativa\u201d, contextualiza.\u00a0<\/p>\n<h2>Beiju<\/h2>\n<p>Como na comunidade Mesquita, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am produ\u00e7\u00f5es que abalam a pr\u00f3pria identidade dessas pessoas. Na comunidade quilombola Divino Esp\u00edrito Santo (tamb\u00e9m conhecida pelo apelido Divino Beiju), em S\u00e3o Mateus (ES), o cultivo de mandioca para a produ\u00e7\u00e3o do beiju artesanal diminuiu por causa do caos clim\u00e1tico.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cVendemos no mercado central da cidade. Somos conhecidos pelo beiju\u201d, diz a agricultora Denise Penha, de 42 anos.\u00a0<\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 300 fam\u00edlias, a comunidade ainda precisa preservar o plantio de mandioca dos impactos dos agrot\u00f3xicos usados por fazendeiros das proximidades. Para que o famoso beiju continue com o mesmo sabor de vida org\u00e2nico e de vida em comunidade.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Denise Penha da comunidade Divino Esp\u00edrito Santo durante Terceiro Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas. Foto: Lula Marques\/Ag\u00eancia Brasil. \u2013 <strong>Lula Marques\/Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><!--END copyright=465794--><\/h6>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Na comunidade rural quilombola de Nova Esperan\u00e7a, na cidade de Bara\u00fana (RN), a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-58375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58375\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}