{"id":58856,"date":"2026-06-25T08:48:18","date_gmt":"2026-06-25T11:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/06\/25\/cineop-transforma-ouro-preto-em-capital-da-memoria-audiovisual\/"},"modified":"2026-06-25T08:48:18","modified_gmt":"2026-06-25T11:48:18","slug":"cineop-transforma-ouro-preto-em-capital-da-memoria-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/06\/25\/cineop-transforma-ouro-preto-em-capital-da-memoria-audiovisual\/","title":{"rendered":"CineOP transforma Ouro Preto em capital da mem\u00f3ria audiovisual"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>As ladeiras de Ouro Preto voltar\u00e3o a ser ocupadas pelo cinema. N\u00e3o apenas pelas telas instaladas em pra\u00e7as, museus e centros culturais, mas por uma reflex\u00e3o urgente sobre aquilo que um pa\u00eds decide guardar de si mesmo.<\/p>\n<p><strong>Entre os dias 25 e 30 de junho, a hist\u00f3rica cidade mineira recebe a 21\u00aa edi\u00e7\u00e3o da CineOP \u2013 Mostra de Cinema de Ouro Preto, \u00fanico evento brasileiro dedicado exclusivamente ao cinema como patrim\u00f4nio cultural. <\/strong>Mais do que um festival, a CineOP consolidou-se, ao longo de duas d\u00e9cadas, como espa\u00e7o estrat\u00e9gico para a preserva\u00e7\u00e3o audiovisual, a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para o setor.<\/p>\n<p><strong>Neste ano, o tema escolhido sintetiza a voca\u00e7\u00e3o do evento:\u00a0\u201cUm pa\u00eds existe nas imagens que preserva\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/25\/gol-surpreendera-passageiros-da-nova-classe-executiva-internacional\/\">GOL surpreender\u00e1 passageiros da nova classe executiva internacional<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/06\/25\/venezuela-decreta-emergencia-apos-terremotos\/\">Venezuela decreta emerg\u00eancia ap\u00f3s terremotos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A frase, aparentemente simples, abre uma discuss\u00e3o profunda sobre mem\u00f3ria, identidade e pertencimento em tempos de excesso de produ\u00e7\u00e3o digital e circula\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de imagens:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cUm pa\u00eds existe nas imagens que preserva prop\u00f5e justamente essa reflex\u00e3o: o que escolhemos guardar diz muito sobre quem somos e sobre o que desejamos transmitir \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a diretora da CineOP, Raquel Hallak.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Segundo ela, preservar vai muito al\u00e9m de armazenar arquivos.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">A diretora da CineOP, Raquel Hallack, diz que preservar mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas conservar acervos\u00a0\u2013 Foto\u00a0<strong>Leo Lara\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=467039--><\/h6>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p>\u201cPreservar mem\u00f3ria audiovisual n\u00e3o \u00e9 apenas conservar acervos, mas garantir acesso, contexto e perman\u00eancia das obras como parte viva da cultura\u201d, destaca.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ao longo de seis dias, a cidade patrim\u00f4nio mundial se transforma em uma grande sala de cinema a c\u00e9u aberto. Ser\u00e3o exibidos 135 filmes; entre longas, m\u00e9dias e curtas-metragens distribu\u00eddos em 42 sess\u00f5es gratuitas, ocupando espa\u00e7os emblem\u00e1ticos como a Pra\u00e7a Tiradentes, o Centro de Artes e Conven\u00e7\u00f5es da UFOP e o Museu da Inconfid\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Mas a CineOP n\u00e3o se limita \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de filmes. Ela articula debates, encontros de pesquisadores, oficinas, f\u00f3runs educacionais, masterclasses internacionais e o tradicional Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunindo profissionais que pensam o futuro da mem\u00f3ria audiovisual no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A mostra dedica um dos seus tr\u00eas eixos curatoriais inteiramente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o. A Mostra Educa\u00e7\u00e3o re\u00fane filmes produzidos em contextos escolares, experi\u00eancias pedag\u00f3gicas e obras que utilizam o audiovisual como ferramenta de descoberta, reflex\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>O programa Cine-Express\u00e3o \u2013 A Escola Vai ao Cinema leva centenas de estudantes \u00e0s sess\u00f5es especialmente organizadas para diferentes faixas et\u00e1rias, seguidas de debates e materiais educativos que ampliam a experi\u00eancia em sala de aula.<\/strong><\/p>\n<p>Para Raquel Hallak, essa dimens\u00e3o formativa \u00e9 insepar\u00e1vel da miss\u00e3o do evento.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u00a0\u201cA curadoria da CineOP \u00e9 constru\u00edda a partir do di\u00e1logo entre preserva\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria e educa\u00e7\u00e3o. Por isso, a programa\u00e7\u00e3o articula filmes restaurados, pr\u00e9-estreias e produ\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, criando um campo de tens\u00e3o produtiva entre passado e futuro, mem\u00f3ria e inven\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>No momento em que algoritmos determinam grande parte do consumo cultural, a mostra aposta no encontro presencial, na media\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e no cinema como instrumento de leitura do mundo.<\/strong><\/p>\n<p>Um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a Mostra Competitiva Contempor\u00e2nea Arquivos em Quest\u00e3o, que re\u00fane cinco longas-metragens in\u00e9ditos constru\u00eddos a partir da ressignifica\u00e7\u00e3o de imagens de arquivo.<\/p>\n<p>Para Hallak, essa sele\u00e7\u00e3o revela uma transforma\u00e7\u00e3o importante do cinema contempor\u00e2neo: \u201cOs arquivos deixam de ser apenas documentos hist\u00f3ricos e passam a funcionar como dispositivos vivos de cria\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e reinterpreta\u00e7\u00e3o do presente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Entre os t\u00edtulos est\u00e3o \u201cApocalipse Segundo Baby\u201d, sobre Baby do Brasil; \u201c<em>Universo Circular \u2013 Jocy de Oliveira<\/em>\u201c; \u201c<em>Proust Palimpsesto<\/em>\u201c; \u201c<em>Irritante Prod\u00edgio<\/em>\u201d e \u201c<em>Notas sobre um Desterro<\/em>\u201c.<\/strong><\/p>\n<p>A mostra refor\u00e7a uma tend\u00eancia crescente do document\u00e1rio contempor\u00e2neo: utilizar o passado para compreender as urg\u00eancias do presente.<\/p>\n<p><strong>A grande homenageada desta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a cineasta Helena Solberg, pioneira do cinema brasileiro e uma das vozes mais importantes da produ\u00e7\u00e3o audiovisual feminina na Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">A cineasta\u00a0Helena Solberg \u00e9 a homenageada da CineOP \u2013 Foto\u00a0<strong>Ique Esteves\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=467036--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Sua trajet\u00f3ria ser\u00e1 celebrada com exibi\u00e7\u00f5es especiais, debates e uma retrospectiva de sua obra.<\/p>\n<p>Ao revisitar sua hist\u00f3ria para a homenagem, Helena faz uma leitura \u00edntima de uma carreira constru\u00edda entre o Brasil e os Estados Unidos: \u201cEu regulo minha vida pelos filmes. Fiz cerca de 20\u00a0filmes e vivi o cinema intensamente. Foi a \u00fanica coisa que sempre esteve comigo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela lembra que come\u00e7ou sonhando em ser escritora: \u201cMeu primeiro desejo era escrever. Eu tinha 17 anos quando escrevi uma novela inspirada por Fran\u00e7oise Sagan. Depois percebi que minha forma de express\u00e3o seria outra.\u201d<\/p>\n<p><strong>Nos anos 1960, em meio \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais do pa\u00eds, ela realizou \u201c<em>A Entrevista<\/em>\u201d (1966), obra que se tornaria um marco do cinema feminista brasileiro. <\/strong>O filme, que abre a programa\u00e7\u00e3o da homenagem na CineOP, re\u00fane depoimentos de jovens mulheres refletindo sobre casamento, independ\u00eancia e liberdade.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, continua surpreendentemente atual: \u201cQuando fiz A Entrevista, eu n\u00e3o imaginava que teria uma trajet\u00f3ria t\u00e3o longa. Hoje, ele \u00e9 visto como um documento hist\u00f3rico, mas continua dialogando com quest\u00f5es que ainda atravessam a vida das mulheres brasileiras.\u201d<\/p>\n<p>A cineasta viveu cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas nos Estados Unidos e conta que foi justamente fora do pa\u00eds que aprofundou sua conex\u00e3o com o Brasil: \u201cA ironia \u00e9 que fiquei mais perto do Brasil quando estava nos Estados Unidos. L\u00e1 eu era latino-americana. Passei a olhar para a Am\u00e9rica Latina de outra forma.\u201d<\/p>\n<p>Esse olhar resultou em obras fundamentais sobre identidade, pol\u00edtica e direitos das mulheres, consolidando uma filmografia que atravessa fronteiras e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cVoc\u00ea precisa descobrir o que tem a dizer. Muitas vezes n\u00e3o sabemos. E esses momentos de d\u00favida s\u00e3o criativos, porque nos obrigam a procurar o que realmente queremos expressar.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ao completar 21 anos, a CineOP reafirma sua singularidade no cen\u00e1rio cultural brasileiro. Enquanto muitos festivais concentram-se no lan\u00e7amento de filmes, a mostra mineira amplia o debate para temas estruturantes da cultura: preserva\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e patrim\u00f4nio.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Mostra de cinema transforma Ouro Preto em capital da mem\u00f3ria do audiovisual \u2013 Foto\u00a0<strong>Leo Lara\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=467038--><\/h6>\n<\/div>\n<p><em>**A rep\u00f3rter viajou \u00e0 convite do CineOP<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews As ladeiras de Ouro Preto voltar\u00e3o a ser ocupadas pelo cinema. 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