{"id":59478,"date":"2026-07-11T14:23:09","date_gmt":"2026-07-11T17:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/brasil-ainda-mede-mal-os-impactos-do-racismo-diz-especialista\/"},"modified":"2026-07-11T14:23:09","modified_gmt":"2026-07-11T17:23:09","slug":"brasil-ainda-mede-mal-os-impactos-do-racismo-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/brasil-ainda-mede-mal-os-impactos-do-racismo-diz-especialista\/","title":{"rendered":"Brasil ainda mede mal os impactos do racismo, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Apesar de haver in\u00fameros estudos sobre discrimina\u00e7\u00e3o racial no Brasil, o pa\u00eds ainda tem dificuldades para entender como o racismo impacta nas desigualdades raciais. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de um grupo de pesquisadores, a maioria deles negra, que criou n\u00facleo que se prop\u00f5e a preencher essa lacuna de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Eles lan\u00e7aram, no fim de junho, o Dara, Dados e An\u00e1lises do Racismo e do Antirracismo.<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00facleo \u00e9 ligado ao Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e formado por 18 pessoas, entre coordenadores, pesquisadores e equipe de comunica\u00e7\u00e3o e de tecnologia.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/francy-baniwa-quando-um-parente-entra-estamos-representados\/\">Francy Baniwa: \u201cQuando um parente entra, estamos representados\u201d<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/morre-peppino-di-capri-icone-da-musica-italiana-aos-86-anos\/\">Morre Peppino di Capri, \u00edcone da m\u00fasica italiana, aos 86 anos<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Vinculado \u00e0 Uerj, o Dara conta com financiamento misto de suas atividades, recebendo recursos de ag\u00eancias p\u00fablicas de financiamento \u00e0 pesquisa e de institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Professor de sociologia e ci\u00eancia pol\u00edtica,\u00a0Luiz Augusto Campos \u00e9 coordenador-geral do n\u00facleo rec\u00e9m-criado. Foto:\u00a0<strong>Dara\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=468587--><\/h6>\n<\/div>\n<p>A<strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0entrevistou o professor de sociologia e ci\u00eancia pol\u00edtica Luiz Augusto Campos, coordenador-geral do n\u00facleo rec\u00e9m-criado. Na conversa, ele aponta dificuldade\u00a0de estudos sobre o racismo.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/brasil-perde-por-3-a-0-para-tailandia-na-liga-das-nacoes-de-volei\/\">Brasil perde por 3 a 0 para Tail\u00e2ndia na Liga das Na\u00e7\u00f5es de V\u00f4lei<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/publicadas-regras-que-restringem-publicidade-de-bets-no-pais\/\">Publicadas regras que restringem publicidade de bets no pa\u00eds<\/a><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u00c9 muito mais complexo estimar como o racismo impacta nas desigualdades raciais\u201d, avalia o especialista no acompanhamento de a\u00e7\u00f5es afirmativas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Na vis\u00e3o dele, pesquisas experimentais \u201cainda engatinham no Brasil\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Luiz Augusto Campos ressalta que o pr\u00f3prio time de pesquisa \u00e9 fruto de a\u00e7\u00f5es que permitiram maior acesso de pessoas pretas e pardas ao ensino superior.<\/p>\n<p>\u201cMuitos pesquisadores do Dara fazem parte desse processo hist\u00f3rico\u201d, diz Campos,\u00a0que integra conselhos consultivos de iniciativas voltadas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, pol\u00edticas p\u00fablicas e diversidade racial.<\/p>\n<p>O especialista\u00a0sustenta que a\u00e7\u00f5es antirracistas ainda podem ser melhoradas. <strong>Confira a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0O que o Dara pode oferecer \u00e0 sociedade?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0O Dara se dedica \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e comunica\u00e7\u00e3o de dados sobre o racismo e o antirracismo. N\u00f3s desenvolvemos pesquisas com rigor metodol\u00f3gico e estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o acess\u00edveis para contribuir com o debate p\u00fablico e com a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas baseadas em evid\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0H\u00e1 no Brasil diversos n\u00facleos acad\u00eamicos e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que fazem pesquisas sobre quest\u00f5es raciais. O Dara se prop\u00f5e a se diferenciar de alguma forma?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0De fato, o Brasil assistiu a uma multiplica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios centros acad\u00eamicos de pesquisa sobre quest\u00f5es raciais nos \u00faltimos tempos. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil tamb\u00e9m criaram setores espec\u00edficos para a pesquisa. Mas, embora sejam plurais e de grande relev\u00e2ncia, essas pesquisas ainda dialogam pouco entre si e utilizam metodologias ainda tradicionais nesses campos.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais produtivos do mundo quando pensamos em pesquisas sobre desigualdades raciais, mas o mesmo n\u00e3o vale em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas sobre o racismo enquanto mecanismo produtor dessas desigualdades. Apesar da similaridade desses r\u00f3tulos, \u00e9 muito mais complexo estimar como o racismo impacta nas desigualdades raciais do que mensurar essas \u00faltimas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Dara pretende trabalhar em duas frentes. Primeiro, nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 colaborar com os grupos e pesquisas que j\u00e1 existem, ajudando a integr\u00e1-los e pensando em inova\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas para expandir a fronteira do nosso conhecimento sobre o racismo e o antirracismo. Segundo, pretendemos aplicar ao Brasil novas metodologias que, ali\u00e1s, v\u00eam se sofisticando rapidamente no contexto internacional.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Nos levantamentos e an\u00e1lises preliminares realizados pelo Dara, h\u00e1 alguma constata\u00e7\u00e3o ou fato que surpreendeu os pesquisadores?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0Talvez a principal constata\u00e7\u00e3o atual\u00a0que, de certo modo,\u00a0levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do grupo, seja a de que o Brasil regrediu no seu processamento de dados para compreender o funcionamento do racismo. N\u00e3o apenas o acesso aos dados oficiais, mas tamb\u00e9m a interlocu\u00e7\u00e3o de pesquisas preexistentes \u00e9 muito falha. Pode-se dizer que, em v\u00e1rios aspectos, o acesso aos dados regrediu no Brasil. Outra constata\u00e7\u00e3o importante tem a ver com uma alta concentra\u00e7\u00e3o das pesquisas brasileiras na mensura\u00e7\u00e3o das desigualdades raciais, mas pouca aten\u00e7\u00e3o ao modo como pr\u00e1ticas racistas produzem essas desigualdades.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0H\u00e1 ainda algo sobre o racismo no Brasil que seja imposs\u00edvel medir por falta de dados?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0A rigor, o Brasil ainda enfrenta in\u00fameras dificuldades em mensurar o seu racismo e os seus efeitos. Os efeitos do racismo nas desigualdades socioecon\u00f4micas s\u00e3o mensurados de v\u00e1rios modos no Brasil, mas a crescente dificuldade de acesso e integra\u00e7\u00e3o de microdados oficiais vem reduzindo a capacidade de gerar estimativas sobre seu funcionamento e seus efeitos de m\u00e9dio e longo prazos. Embora tenhamos v\u00e1rias pesquisas de opini\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o do racismo, elas dialogam pouco entre si, o que prejudica a comparabilidade dos dados e a gera\u00e7\u00e3o de estimativas longitudinais. Um dos projetos em curso no Dara envolve justamente a integra\u00e7\u00e3o dessas pesquisas de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Finalmente, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel mensurar causalmente os efeitos do racismo se incorporarmos as chamadas pesquisas experimentais, especialmente os chamados experimentos de campo. Essas ainda engatinham no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Voc\u00eas citam j\u00e1 no nome do Dara (Dados e An\u00e1lises do Racismo e do Antirracismo) os termos racismo e antirracismo. Falta \u00e0 sociedade brasileira o entendimento sobre em que consiste o antirracismo?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0De certo modo, o antirracismo avan\u00e7ou e evoluiu muito na sociedade nos \u00faltimos anos, mas, ao mesmo tempo, encontra novos desafios hoje. As diferentes pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa na educa\u00e7\u00e3o superior, no funcionalismo p\u00fablico ou nas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o consequ\u00eancias palp\u00e1veis do sucesso dos movimentos antirracistas em um pa\u00eds que, at\u00e9 pouco tempo, via-se como livre de qualquer racismo.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem v\u00e1rios movimentos hoje que buscam conter ou mesmo contestar esses avan\u00e7os. V\u00e1rios setores v\u00eam insistindo que tais a\u00e7\u00f5es afirmativas j\u00e1 teriam resolvido o problema do racismo, o que mina o avan\u00e7o de outras pol\u00edticas antirracistas. Romper essa resist\u00eancia exige novos dados e an\u00e1lises que n\u00e3o apenas mostrem como o racismo produz nossas desigualdades, mas tamb\u00e9m como as pol\u00edticas antirracistas podem ser melhoradas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0A maioria da equipe do Dara \u00e9 negra. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. O que significa essa representatividade majorit\u00e1ria?<br \/><strong>Luiz Augusto Campos<\/strong>:\u00a0A diversidade de experi\u00eancias sociais tamb\u00e9m influencia as perguntas que orientam a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Durante muito tempo, determinados grupos sociais estiveram sub-representados nos espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. A expans\u00e3o das pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa modificou parcialmente esse cen\u00e1rio, permitindo que novas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores chegassem \u00e0s universidades e \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos pesquisadores do Dara fazem parte desse processo hist\u00f3rico. A presen\u00e7a de diferentes trajet\u00f3rias e experi\u00eancias sociais contribui para que quest\u00f5es, problemas e dimens\u00f5es da sociedade brasileira\u00a0que antes tinham menor espa\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica\u00a0sejam incorporados \u00e0s agendas de pesquisa.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa estabelecer uma oposi\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia social e rigor cient\u00edfico. Pelo contr\u00e1rio, a diversidade amplia as perguntas, os objetos e as perspectivas da ci\u00eancia, enquanto o rigor metodol\u00f3gico permite transformar essas quest\u00f5es em conhecimento sistem\u00e1tico, verific\u00e1vel e aberto ao debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Acreditamos que uma ci\u00eancia social mais diversa tamb\u00e9m amplia nossa capacidade de formular novas perguntas e produzir conhecimento sobre a sociedade brasileira.<\/p>\n<h2>Quem \u00e9<\/h2>\n<p>Coordenador-geral do Dara e professor associado de sociologia e ci\u00eancia pol\u00edtica no Iesp\/Uerj, Luiz Augusto Campos \u00e9 doutor em sociologia pela Uerj e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n<ul>\n<li>Atua em pesquisas sobre desigualdades raciais, democracia, a\u00e7\u00e3o afirmativa e produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u00c9 editor-chefe da revista Dador e tamb\u00e9m do Cons\u00f3rcio das A\u00e7\u00f5es Afirmativas e do Observat\u00f3rio das Ci\u00eancias Sociais.<\/li>\n<li>Foi coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa (Gemaa), da \u00c1rea Tem\u00e1tica da Ra\u00e7a e Pol\u00edtica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica (ABCP) e do Grupo de Trabalho de Rela\u00e7\u00f5es Raciais da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais (Anpocs).<\/li>\n<li>Foi pesquisador visitante na Sciences Po de Paris (Fran\u00e7a) e na New York University (EUA).<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Apesar de haver in\u00fameros estudos sobre discrimina\u00e7\u00e3o racial no Brasil, o pa\u00eds ainda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-59478","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}