{"id":59992,"date":"2026-07-26T09:55:07","date_gmt":"2026-07-26T12:55:07","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/07\/26\/nascido-ha-100-anos-moacir-santos-fundiu-ancestralidade-e-erudicao\/"},"modified":"2026-07-26T09:55:07","modified_gmt":"2026-07-26T12:55:07","slug":"nascido-ha-100-anos-moacir-santos-fundiu-ancestralidade-e-erudicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/07\/26\/nascido-ha-100-anos-moacir-santos-fundiu-ancestralidade-e-erudicao\/","title":{"rendered":"Nascido h\u00e1 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, Moacir Santos completaria 100 anos neste dia 26 de julho. Com uma extensa obra que se destaca pela fus\u00e3o de ritmos afro-brasileiros com o jazz, o m\u00fasico ainda carece de maior reconhecimento no Brasil.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Sua can\u00e7\u00e3o mais conhecida \u00e9 <em>Nan\u00e3,\u00a0<\/em>que homenageia\u00a0a orix\u00e1 mais antiga das religi\u00f5es afro-brasileiras.\u00a0A reza de pessoas numa prociss\u00e3o foi o ponto de partida para a melodia. Trilha de abertura do filme <em>Ganga Zumba<\/em>, ganhou letra de M\u00e1rio Telles e foi gravada por uma centena de artistas, como Nara Le\u00e3o, Sergio Mendes, Tim Maia e nomes do jazz, como Kenny Burrell e Gil Evans.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Nascido\u00a0no Sert\u00e3o Pernambucano, na regi\u00e3o de Serra Talhada, o maestro aprendeu a tocar os instrumentos de banda marcial ainda crian\u00e7a.\u00a0O m\u00fasico morreu em Los Angeles, onde morava, em 2006, aos 80 anos, em decorr\u00eancia de um derrame.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/26\/maior-evento-cientifico-da-america-latina-comeca-neste-domingo\/\">Maior evento cient\u00edfico da Am\u00e9rica Latina come\u00e7a neste domingo<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/26\/fachin-repudia-fala-de-milei-contra-moraes-e-reafirma-autonomia-do-stf\/\">Fachin repudia fala de Milei contra Moraes e reafirma autonomia do STF<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Em depoimento recuperado de um especial da <strong>R\u00e1dio MEC<\/strong>, em 2016, Moacir Santos relembra os primeiros contatos com a m\u00fasica.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cQuando eu entendi a vida, que era um ser vivo, a m\u00fasica tamb\u00e9m j\u00e1 estava comigo. A gente brincava de banda de m\u00fasica da cidade. L\u00e1 em Flores, era muito natural os meninos andarem\u00a0nus, sem roupinha, at\u00e9 l\u00e1 pelos 9, 10 anos de idade. Ent\u00e3o, eu,\u00a0com 10 anos, tinha minha banda de meninos nus no meio da rua, tocando a marchinha. Ent\u00e3o, esse foi meu contato com m\u00fasica\u201d.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na adolesc\u00eancia, o m\u00fasico fugiu de casa e rodou o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares. Allan Abbadia, multi-instrumentista, arranjador, compositor e pesquisador, explica que as bandas de m\u00fasica t\u00eam uma import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e que Moacir Santos veio dessa tradi\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil Imp\u00e9rio, a gente tinha quase que a totalidade de m\u00fasicos no pa\u00eds, pessoas negras. Ent\u00e3o, as bandas eram o r\u00e1dio\u00a0da cidade, dos eventos de domingo. O Moacir vem dessa tradi\u00e7\u00e3o. Ao chegar aos grandes centros, ele j\u00e1 veio com essa tradi\u00e7\u00e3o,\u00a0e ele acrescentou a isso, os estudos mais aprofundados\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/25\/escritora-nathacha-appanah-e-um-dos-destaques-internacionais-da-flip\/\">Escritora Nathacha Appanah \u00e9 um dos destaques internacionais da Flip<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/07\/25\/pl-oficializa-candidatura-de-flavio-bolsonaro-a-presidencia\/\">PL oficializa candidatura de Fl\u00e1vio Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=469751-->Moacir Santos foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. Foto\u00a0<strong>Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=469751--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Professor de grandes nomes<\/h2>\n<p>Em Jo\u00e3o Pessoa, Moacir foi regente da banda da R\u00e1dio Tabajara e, depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou na <strong>R\u00e1dio Nacional<\/strong> como saxofonista a partir de 1948. Tr\u00eas anos depois, j\u00e1 era arranjador da orquestra da emissora.<\/p>\n<p><strong>Foi aluno do maestro C\u00e9sar Guerra-Peixe, e professor de Baden Powell, Jo\u00e3o Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira, Roberto Menescal, entre outros<\/strong>.<\/p>\n<p>Andrea Ernest Dias, flautista e\u00a0autora do livro <em>Moacir Santos, ou os caminhos de um m\u00fasico brasileiro<\/em>, conta que o artista construiu uma identidade sonora a partir de pesquisas aprofundadas em teoria musical \u2500 o que fez com que m\u00fasicos mais jovens quisessem aprender com o mestre.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPara quem queria se aprofundar um pouco, sair do campo da intui\u00e7\u00e3o musical e saber, o Moacir se tornou essa pessoa que fazia essa ponte,\u00a0entre a erudi\u00e7\u00e3o e o popular. Ent\u00e3o, se tornou o\u00a0professor de muita gente\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 1960, Moacir arranjou \u00e1lbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell, e comp\u00f4s trilhas de filmes \u2500 parte delas lan\u00e7adas no \u00e1lbum <em>Coisas,<\/em> de 1965. Considerado sua obra-prima, o trabalho re\u00fane 10 composi\u00e7\u00f5es, todas com o t\u00edtulo\u00a0<em>coisa<\/em>\u00a0seguido de uma\u00a0numera\u00e7\u00e3o. Andrea Ernest Dias comenta a genialidade do m\u00fasico na fus\u00e3o de ritmos afro-brasileiros com os sopros das bandas de jazz.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO disco <em>Coisas<\/em> \u00e9 uma uma s\u00edntese dessa trajet\u00f3ria dele. Ele tem refer\u00eancias das bandas filarm\u00f3nicas, tanto na instrumenta\u00e7\u00e3o das bandas filarm\u00f4nicas quanto nas\u00a0jazz bands, que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o forte pelo pa\u00eds desde os anos 40. A pesquisa na Orquestra Afro-brasileira\u00a0trazendo essa identidade, digamos, afro-brasileira, \u00e9 uma marca mais forte nessa instrumenta\u00e7\u00e3o e principalmente nessa estrutura\u00e7\u00e3o musical perfeita\u201d.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7a para o exterior<\/h2>\n<p>Em 1967, Moacir Santos deixou a <strong>R\u00e1dio Nacional <\/strong>e se mudou para os Estados Unidos, onde seguiu dando aulas e compondo trilhas de cinema, nas equipes dos maestros Henry Mancini e Lalo Schifrin.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, lan\u00e7ou \u00e1lbuns pela renomada gravadora de jazz Blue Note, entre eles, <em>Maestro<\/em>, indicado ao Grammy. Andrea Ernest Dias fala sobre o \u201cmojo\u201d, inova\u00e7\u00e3o trazida por Moacir neste trabalho.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO mojo \u00e9 uma esp\u00e9cie de s\u00edntese, um sistema que ele criou,\u00a0muito swingado, uma coisa que a gente ouve e imediatamente fala: \u2018Isso a\u00ed \u00e9 ritmo do Moacir\u2019.\u00a0Ent\u00e3o, ele sistematizava as pr\u00f3prias c\u00e9lulas r\u00edtmicas e transformou esse ritmo numa marca pessoal mesmo. O disco <em>Maestro<\/em> marca uma nova etapa na vida do maestro Moacir Santos. Um disco realizado nos Estados Unidos e que traz ritmos intrigantes, digamos assim\u201d.<\/p>\n<p>Em 1985, Moacir Santos foi homenageado no 1\u00ba Free Jazz Festival\u00a0e tocou na abertura do evento, ao lado de Radam\u00e9s Gnatalli. A obra do maestro foi revisitada pelos m\u00fasicos Z\u00e9 Nogueira e Mario Adnet, no projeto Ouro Negro, com participa\u00e7\u00f5es de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do pr\u00f3prio Moacir Santos. O \u00e1lbum <em>Ouro Negro<\/em>\u00a0foi a porta de entrada para a obra do m\u00fasico para ouvintes como o Allan Abbadia.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 fruto de uma genialidade incr\u00edvel e uma intelectualidade conquistada atrav\u00e9s dos estudos tamb\u00e9m da nossa oralidade, estudos da cultura afro-brasileira. Uma das caracter\u00edsticas mais marcantes dele \u00e9 o di\u00e1logo entre diferentes express\u00f5es art\u00edsticas da di\u00e1spora. Ent\u00e3o, ele vem juntando\u00a0v\u00e1rias dessas express\u00f5es\u00a0com a m\u00fasica erudita. E ele conseguiu trazer essa ess\u00eancia da m\u00fasica afro-brasileira, afro-diasp\u00f3rica, sem se tornar folcl\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<p>Neste ano, j\u00e1 aconteceram alguns eventos em comemora\u00e7\u00e3o ao centen\u00e1rio de Moacir Santos e, no m\u00eas de agosto, Allan Abbadia vai dar aulas sobre a obra de Moacir Santos no Centro de Pesquisa e Forma\u00e7\u00e3o do Sesc em S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante reverenciar a obra do Moacir Santos. N\u00e3o somente o nome, mas a est\u00e9tica. O p\u00fablico entender essa est\u00e9tica, entender o que ele quis dizer, \u00e9 muito importante. Isso humaniza o artista\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEle faz uma obra que est\u00e1 \u00e0 frente do seu tempo, mas uma obra que abre um campo de possibilidades para quem vier no futuro conseguir reler aquilo e se debru\u00e7ar sobre aquilo. Quando eu era garoto, eu fiz workshop com ele e\u00a0ele falava: \u2018ser reconhecido no meu pa\u00eds \u00e9 a minha maior alegria\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Vin\u00edcius de Moraes, parceiro das composi\u00e7\u00f5es <em>Menino travesso<\/em>\u00a0e <em>Se voc\u00ea disser que sim<\/em>, homenageou Moacir Santos nos versos do <em>Samba da ben\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=469749-->Moacir Santos, por L\u00eddio Parente\/divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=469749--><\/h6>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, Moacir Santos completaria 100 anos neste dia 26<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-59992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}