{"id":62042,"date":"2026-10-01T12:32:21","date_gmt":"2026-10-01T15:32:21","guid":{"rendered":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/livro-conta-como-montadoras-ajudaram-a-manter-ditadura-no-brasil\/"},"modified":"2026-10-01T12:32:21","modified_gmt":"2026-10-01T15:32:21","slug":"livro-conta-como-montadoras-ajudaram-a-manter-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/livro-conta-como-montadoras-ajudaram-a-manter-ditadura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Livro conta como montadoras ajudaram a manter ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Em 2015, com base em depoimentos recolhidos pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, o<strong> Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP) aceitou abrir um procedimento para investigar a coopera\u00e7\u00e3o de diversas empresas com a ditadura militar brasileira. Entre elas estava a montadora Volkswagen.<\/strong><\/p>\n<p>Seis anos depois, o Minist\u00e9rio P\u00fablico divulgou um relat\u00f3rio\u00a0que revelou que a Volkswagen \u201ccontribuiu intensamente com o aparato repressivo\u201d e que isso ocorreu com conhecimento da dire\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>Em 2017, a pr\u00f3pria empresa contratou um historiador para investigar o papel da Volkswagen durante a ditadura militar brasileira. Em seu relat\u00f3rio, o alem\u00e3o Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, escreveu:<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/santos-regulariza-ocupacao-do-centro-de-treinamento-rei-pele\/\">Santos regulariza ocupa\u00e7\u00e3o do Centro de Treinamento Rei Pel\u00e9<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/prf-tres-e-forcas-de-seguranca-atuarao-em-conjunto-nas-eleicoes\/\">PRF, TREs e for\u00e7as de seguran\u00e7a atuar\u00e3o em conjunto nas elei\u00e7\u00f5es<\/a><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA VW do Brasil foi irrestritamente leal ao governo militar e compartilhou os seus objetivos econ\u00f4micos e de pol\u00edtica interna.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEst\u00e1 claro que a Volkswagen estabeleceu por disposi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria uma intensa rela\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o com os \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o pol\u00edtica, muito al\u00e9m dos limites da f\u00e1brica. A empresa demonstrou vontade de participar do sistema repressivo, sabendo que submetia seus funcion\u00e1rios a risco de pris\u00f5es ilegais e tortura\u201d, diz um trecho do relat\u00f3rio elaborado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h2>Repress\u00e3o Sociedade An\u00f4nima<\/h2>\n<p>A Volks, no entanto, n\u00e3o foi a \u00fanica. <strong>Um livro lan\u00e7ado esta semana, em S\u00e3o Paulo, revela que diversos bancos, metal\u00fargicas e fabricantes de ve\u00edculos contribu\u00edram para a manuten\u00e7\u00e3o da ditadura no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Escrito por Eduardo Reina e Maria Ang\u00e9lica Ferrasoli, <strong>o livro <em>Repress\u00e3o Sociedade An\u00f4nima<\/em> apurou como muitos trabalhadores, especialmente da regi\u00e3o do Grande ABC Paulista, foram observados, fichados, investigados, perseguidos, demitidos, presos e at\u00e9 torturados como consequ\u00eancia dessa intensa contribui\u00e7\u00e3o entre as empresas e o aparelho de repress\u00e3o.<\/strong><br \/>\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/eua-destinam-us-1-milhao-para-campanha-contra-stf-diz-revista\/\">EUA destinam US$ 1 milh\u00e3o para campanha contra STF, diz revista<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/10\/01\/anticiclone-derruba-temperatura-no-sul-do-pais\/\">Anticiclone derruba temperatura no Sul do pa\u00eds<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Eduardo Reina e Maria Ang\u00e9lica Ferrasoli no lan\u00e7amento do livro\u00a0<em>Repress\u00e3o Sociedade An\u00f4nima<\/em>\u00a0\u2013 <strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p>A obra \u00e9 resultado de tr\u00eas anos de pesquisas documentais e de coletas de entrevistas.<\/p>\n<p>\u201cA gente teve informa\u00e7\u00e3o de muitas empresas, mas focamos em cinco delas: a Mercedes-Benz, a Volkswagen, a General Motors, a Scania e a Ford. Centramos [o trabalho] na regi\u00e3o do ABC e nas grandes metal\u00fargicas\u201d, explicou Reina, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cElas financiavam com dinheiro a m\u00e1quina da repress\u00e3o. E como a coisa foi surgindo? A gente estava analisando os livros de registro de entrada do Dops [Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social] aqui no Largo General Os\u00f3rio [na capital paulista] e ali descobrimos uma lista de ramais. Nessa lista tinha um ramal de um estande de tiro. E descobrimos que algumas empresas financiavam equipamentos para esse estande de tiro tais como muni\u00e7\u00f5es e at\u00e9 compra de protetor auricular. O protetor auricular era a GM quem financiava\u201d, disse Reina.<\/p>\n<p>Essa coopera\u00e7\u00e3o, explicaram os pesquisadores, n\u00e3o se dava apenas pela compra de materiais ou pelo apoio financeiro \u00e0 ditadura. <strong>Ela tamb\u00e9m ocorria, por exemplo, pela incorpora\u00e7\u00e3o de militares dentro das f\u00e1bricas e at\u00e9 de arapongas, explicou Ferrasoli.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cOs arapongas eram pessoas que se misturavam ali com os trabalhadores e que depois iam dedurar quem estava fazendo reivindica\u00e7\u00f5es\u201d, disse ela.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cHavia um conjunto de a\u00e7\u00f5es que as empresas adotavam para refor\u00e7ar ou firmar essa cumplicidade com a ditadura e ir expulsando os trabalhadores. Por exemplo, se o trabalhador participava de uma greve, ele n\u00e3o precisava nem ser de um partido de oposi\u00e7\u00e3o ou de combate \u00e0 ditadura, se ele participava de uma greve, ele j\u00e1 entrava numa lista. Essa lista, que hoje a gente chama de lista suja, era espalhada para v\u00e1rias outras empresas, ent\u00e3o ele nunca mais conseguia emprego\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse monitoramento, havia outro aspecto comum que era o descaso das empresas com as condi\u00e7\u00f5es de trabalho nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem um cap\u00edtulo todo dedicado a mostrar essa quest\u00e3o dos acidentes de trabalho. Em 1975, por exemplo, teve dia em que houve mais de cinco mil acidentes de trabalho registrados no Brasil. E olha que, naquela \u00e9poca, o registro de acidentes era extremamente prec\u00e1rio, porque a delegacia do trabalho ou qualquer inst\u00e2ncia da justi\u00e7a do trabalho estava na m\u00e3o dos militares\u201d, ressaltou Reina.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\">\n<h6 class=\"meta\">Jornalista Eduardo Reina no Lan\u00e7amento do livro em S\u00e3o Paulo \u2013 <strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Situa\u00e7\u00e3o das mulheres<\/h2>\n<p><strong>Tratadas aos gritos pelos chefes, assediadas e com tempo controlado at\u00e9 para ir ao banheiro, a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras durante a ditadura militar tamb\u00e9m n\u00e3o foi nada f\u00e1cil de ser enfrentada. <\/strong><\/p>\n<p>Maria Ang\u00e9lica Ferrasoli conta que entrevistou algumas dessas mulheres que come\u00e7aram a trabalhar com 12 ou 13 anos. Muitas relataram condi\u00e7\u00f5es ainda mais degradantes no ambiente de trabalho, que chegava at\u00e9 mesmo ao controle de uso do papel higi\u00eanico.<\/p>\n<p>\u201cElas precisavam pegar uma chave para usar o banheiro. Se demorassem mais do que 3 ou 4 minutos, j\u00e1 tinha gente batendo na porta. Em outras empresas, o papel higi\u00eanico ficava em cima da mesa do chefe. Ela tinha que ir l\u00e1 e pegar uma cota [de papel]. Ent\u00e3o, se acabava o rolinho dali, elas tinham que se virar no banheiro, levar de casa ou fazer o que fosse poss\u00edvel\u201d, relatou.<\/p>\n<h2>Dopinho do ABC<\/h2>\n<p>Em suas pesquisas, os dois jornalistas descobriram tamb\u00e9m a exist\u00eancia de um bra\u00e7o do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) em S\u00e3o Bernardo do Campo, que era o principal polo metal\u00fargico do Brasil e que integra a regi\u00e3o do Grande ABC.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, esse Dopinho do ABC era formado por empresas da regi\u00e3o e continha um sistema de vigil\u00e2ncia e de controle dos trabalhadores e dos ativistas sindicais. \u201cUma esp\u00e9cie de controle industrial sobre a sociedade civil\u201d, contam, no livro.<\/p>\n<p>\u201cA gente descobriu a exist\u00eancia de uma filial do DOPS no ABC que ficava a tr\u00eas ou quatro quadras distante da sede do sindicato. L\u00e1, as pessoas eram presas e torturadas. Para l\u00e1 iam presos os trabalhadores, pessoas ligadas aos movimentos eclesiais de base ou de movimentos de melhoria nos bairros. A gente conta a hist\u00f3ria, inclusive, de um menor de idade que foi preso e torturado ali\u201d, disse Eduardo Reina.<\/p>\n<p>Essas descobertas, refor\u00e7am os pesquisadores, demonstram que ainda h\u00e1 muito a ser pesquisado sobre a coopera\u00e7\u00e3o das empresas com a ditadura militar brasileira. Principalmente sobre a participa\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas, o que ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>\u201cEu acredito que a ditadura sobreviveria [sem a participa\u00e7\u00e3o empresarial]. Mas ela sobreviveu de uma forma muito mais escalonada com a participa\u00e7\u00e3o dessas empresas\u201d, diz Ferrasoli.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o livro contribui bastante para mostrar isso\u201d, disse Reina, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria da ditadura no Brasil tem milhares de coisas que precisam ser contadas. Muitas coisas foram enterradas e muita coisa desapareceu. Muitos arquivos militares foram destru\u00eddos. Mas a gente precisa ter um outro olhar para toda essa documenta\u00e7\u00e3o e avan\u00e7armos com isso para mostrar todas essas coisas que aconteceram e continuam acontecendo. Se a gente fizer um paralelo, a pol\u00edcia militar age do mesmo modo hoje como agia na ditadura. Se formos para a periferia, ent\u00e3o, os pretos e os pobres s\u00e3o as maiores v\u00edtimas dessa ditadura hoje, como eram tamb\u00e9m na \u00e9poca da ditadura. E isso ningu\u00e9m contou at\u00e9 hoje\u201d, destacou o pesquisador.<\/p>\n<h2>Montadoras<\/h2>\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> procurou as cinco montadoras citadas no livro, mas at\u00e9 o momento da publica\u00e7\u00e3o elas n\u00e3o se manifestaram sobre o tema.\u00a0<\/p>\n<p>Em nota enviada aos escritores do livro, a Volkswagen informou que assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e que foi a primeira empresa estrangeira a reavaliar sua hist\u00f3ria durante o regime militar no Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Scania disse que repudia qualquer tipo de viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e que n\u00e3o guarda mais documentos sobre aquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Mercedes-Benz escreveu aos autores que n\u00e3o identificou, at\u00e9 o momento, evid\u00eancias de suporte da empresa com a ditadura militar.<\/p>\n<p>A GM, por sua vez, negou envolvimento com a\u00e7\u00f5es repressivas ou de colabora\u00e7\u00e3o com a ditadura, e a Ford tamb\u00e9m n\u00e3o se manifestou aos autores do livro.<\/p>\n<p>O livro Repress\u00e3o Sociedade An\u00f4nima \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o da Editora Alameda.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Em 2015, com base em depoimentos recolhidos pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-62042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvtribunape.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}